05/09/2008

Anatomia de um champô I – O que não queremos!

Encontrei este artigo nos meus arquivos, já tem uns anos mas continua a dar-me que pensar, e não queria deixar de o partilhar com outras pessoas sensibilizadas para estas questões. Acredito que a publicidade ou notícias negativas, nem sempre, são a melhor forma de passar certas informações. Contudo, por vezes, só refletimos sobre determinados assuntos quando somos confrontados com eles desta forma!

Caso a leitura do artigo desperte a sua sensibilidade para procurar produtos mais "verdes" e saudáveis, procurar produtos de cosmética biológica certificada pode ser uma das formas mais simples de garantir que evitamos determinadas substâncias.


Fonte: traduzido e adaptado a partir do artigo “Deadly Shampoos” in Revista The Ecologist de Outubro de 2003.

Champôs mortais. Algumas vez considerou a possibilidade de lavar o seu cabelo com óleo dos travões? Ou que o preço do brilho dos champôs mais populares poderá ser cancro? Por trás do marketing inteligente e dos anuncios agressivos está uma lista de de produtos químicos que estão longe de ser criteriosamente “limpos”.
Por Eugenie Reidy


A Proctor & Gamble (P&G) atribui o sucesso dos seus champôs Herbal Essences ao facto de haver uma procura crescente de produtos que são mais “naturais”. Mas apesar da P&G se gabar que Herbal Essences contém “extractos vegetais e botânicos naturais que chegam até nós em pura água mineral da montanha”, os champôs na realidade contêm ingredientes perigosos baseados em petroquímicos sintéticos.
Dez dos doze ingredientes descritos aqui estão relacionados com pelo menos um dos seguintes problemas: cancro, disturbios endócrinos, problemas do sistema nervoso central, deficiências de nascença, danos em orgãos e tecidos, danos na pele e cabelos e reacções alérgicas. Como os champôs mais populares contêm um ou mais destes ingredientes, não se esqueça de ler o rótulo.

O mercado de cuidados para o cabelo.
O mercado mundial de cuidados para o cabelo está avaliado em 35 biliões de dólares. A P&G produz e comercializa mais de 250 produtos para mais de 5 biliões de consumidores em 130 países em todo o mundo. Em 2002 as suas vendas líquidas eram de 40,2 biliões de dólares; os cuidados de beleza chegavam a 8,08 biliões de dólares.
A gama Herbal Essences situou-se em segundo lugar no “ranking” de vendas de champôs nos Estados Unidos, no ano passado (2002), e em terceiro no Reino Unido. Para ter uma lista de ideias para champôs caseiros veja “Drop-Dead Gorgeous: Protecting Yourself from the Hidden Dangers of Cosmetics” de Kim Erickson (Conteporary Books, 2002).









LAURETH/LAURIL SULFATO DE SÓDIO (SLES/SLS)
Função:

· Tirar a oleosidade natural do cabelo através da corrosão, facilitar a penetração e dispersão do champô. Penetra muito facilmente na pele e permanece nos tecidos (particularmente do cérebro, coração e fígado) por um período de tempo relativamente longo.
Uso:
· Encontrado em cerca de 90% dos champôs comerciais e em muitos outros PCHC, especialmente em dentífricos e cremes para a pele. Os SLS foram proibidos em sais de banho porque têm um efeito adverso na protecção da pele, provocando erupções e infecções. São também encontrados em detergentes indústriais. Em testes efectuados em laboratórios clínicos os SLS são muitas vezes utilizados como irritantes para testarem a eficácia dos agentes curativos.
Efeitos na saúde:
Transportados através da corrente sanguínea, os SLS/SLES vão-se acumulando no coração, fígado, pulmões, cérebro e olhos. São retidos nos tecidos por um período prolongado e podem provocar os seguintes efeitos:
· Cancro – os SLS/SLES reagem com outros produtos químicos formando compostos com grande capacidade de induzir cancro, como as nitrosaminas e o dioxane;
· Disturbios endócrinos (hormonais) – os SLS/SLES podem mimetizar a acção das hormonas e perturbar os mecanismos associados que controlam as funções diárias do nosso corpo. É conhecido por mimetizar a acção do estrogéneo e interferir com o desenvolvimento sexual e o sistema reprodutivo;
· Danos nos olhos – os SLS são rapidamente absorvidos, especialmente para as células dos olhos (a absorção é feita através das raizes dos cabelos e não por contacto directo com os olhos); danifica a sua função e desenvolvimento – particularmente nas crianças;
· Perda de cabelo – os SLS são agentes corrosivos suficientemente agressivos para afectar os folículos capilares;
· Aumento da sensibilidade na pele – os SLS prejudicam a capacidade da pele funcionar como uma barreira contra substâncias nocívas, intensificando as reacções alérgicas;
· Desidratação da pele – os lipidos protectores são retirados, da superfície da pele, pela acção corrosiva dos SLS e a pele torna-se menos capaz de reter a humidade.

COCAMIDE MEA
Função:
· Criar um efeito de espuma que de outra forma seria impossivel de obter.
Efeitos na saúde:
· Causador de cancro em animais de laboratório. Cocamide MEA contém monoetanolamina que reage com SLS/SLES produzindo uma nitrosamina carcinogénica.

DMM HIDANTOINA
Função:
· Anti-bacteriano.
Efeitos na saúde:
· Testes de laboratório indicam ser um causador de cancro do pulmão e de danificar o ADN;
· Contém 17,7% de formaldeído, que é um irritante e carcinogénico causador de reacções tóxicas a cerca de 20% das pessoas que são expostas a este agente químico.

METIL/PROPILPARABENO
Função:

· Os parabenos são petroquímicos usados na maioria dos cosmécticos pela sua propriedade de eliminar bactérias e assim preservarem os produtos.
Efeitos na saúde:
· Disturbios endócrinos – os parabenos podem mimetizar a acção do estrogéneo e interferir com o desenvolvimento sexual e a reprodução;
· É comum o aparecimento de reacções alérgicas.

COCAMIDOPROPIL BETAINE
Função:

· Aumentar a densidade e o efeito de espuma do champô.
Efeitos na saúde:
· Por vezes pode provocar dermatite, desidratação e irritação do couro cabeludo.

(nota: existem vários estudos e artigos contraditórios quanto aos efeitos do cocamidopropil betaine. Mais tarde colocaremos um artigo para tentar clarificar este assunto.)

PERFUME / FRAGRÂNCIA
Função:
· Criar o aroma “botânico natural” que é uma parte muito importante no marketing do Herbal Essences mas que não reflete a realidade dos ingredientes do produto.
Uso:
· No mercado existem cerca de 5.000 fragrâncias, dos quais, cerca de 95% são criadas em laboratório – muitas são derivadas de petróleo. A descrição das fragrâncias utilizadas não estão listadas nos rótulos, por forma a proteger o segredo, dado que as fragrâncias não podem ser patenteadas.
Efeitos na saúde:
· Os produtos derivados de petróleo podem causar cancro, defeitos de formação, alterações do sistema nervoso e reacções alérgicas;
· Os perfumes são a principal causa de reacções alérgicas no uso de cosméticos.

DIAZOLIDINIL UREIA
Função:
· Anti-bacteriano.
Efeitos na saúde:
· Liberta formaldeído (ver DMDM Hidantoína);
· Irritante para os olhos e pele.

ÁCIDO BENZÓICO
Função:
· Conservante e solvente.
Efeitos na saúde:
· Contém aneis benzóicos carcinogénicos e tolueno, que também são conhecidos por serem perturbadores de hormonas e por causar defeitos de formação;
· Irritante do trato respiratório;
· Irritante para os olhos e pele.

CORANTES Cl 17200, Cl 15510, Cl 60730, Cl42053
Função:
· Dar aos champôs a côr dos ingredientes vegetais de que se diz serem derivados.
Uso e efeitos na saúde:
· Estes são apenas quatro entre centenas de corantes petroquímicos sintéticos cuja certificação é desconhecida e controversa. A maioria das cores utilizadas em cosméticos aguardam testes e ainda não foi provada, nem estudada, a segurança na sua utilização.

TETRASÓDIO EDTA
Função:
· Facilita a limpeza ligando-se à sujidade e a resíduos de metais pesados.
Uso:
· Encontra-se em detergentes, sprays químicos para a agricultura e produtos farmacêuticos.
Efeitos na saúde:
· O EDTA não se biodegrada imediatamente, pelo que uma vez introduzido na natureza vai dissolver metais pesados tóxicos e, assim, facilitar a sua entrada na cadeia alimentar. Os metais pesados (existem cerca de 20) são prejudiciais para a saúde humana podendo afectar o comportamento e os sistemas fisiológico e cognitivo;
· Irritante para os olhos e pele.

PROPILENO GLICOL
Função:
· Reter a humidade no champô e conferir-lhe um toque “sedoso”.
Uso:
· Propileno glicol é um petroquímico é o principal produto usado nos fluídos de travões e nos anti-congelantes bem como em produtos de saúde e beleza como nas loções de bébé e rimel.
Efeitos na saúde:

· Apesar da US Food and Drug Administration (FDA) ter classificado o propileno glicol como “genericamente reconhecido como seguro”, este é conhecido como neurotoxina e pode provocar dermatite, alterações no fígado e danos nos rins, em estudos efectuados em animais. Pode também inibir o crescimento das células e provocar irritações na pele.

Copyright rita c. Reprodução permitida desde que indicando o endereço:
http://osprodutosnaturais.blogspot.com/2008/09/anatomia-de-um-champ-i-o-que-no_5018.html

11 comentários:

eu disse...

E o sodium chloride faz hipertensão!

rita c disse...

Caro Sr. "EU".
O cloreto de sódio ou “sodium chloride”, como refere, não apresenta nenhuma contra-indicação para a saúde, apenas está sublinhado porque é um dos compostos que não provém da matriz biológica (planta) que serve de base ao produto. Ou seja, é um aditivo para lhe conferir propriedades específicas ao nível da viscosidade. Está destacado tal como outros poderiam estar. Neste caso está destacado porque optamos por manter o rótulo tal como encontrado no artigo original (“Deadly Shampoos” in Revista The Ecologist de Outubro de 2003).

eu disse...

Exactamente, simplesmente não é indicado para hipertensos e é quando ingerido em quantidades significativas; não apresenta contra-indicações quando em aplicação cutânea... Como, aliás, parte dos químicos "danosos" que apresentam.
De qualquer modo, o sal de cozinha (aka cloreto de sódio), apesar de não ser de origem vegetal, pode ser de origem 100% natural.

Cordialmente

João Couto disse...

Parece-me que o artigo é acerca de champôs! Como estes, supostamente, não são para ingerir acho que podemos todos ficar sossegados, quanto ao que ao cloreto de sódio diz respeito! Relativamente à restante informação disponibilizada, é bom que esta exista (ou está à espera que estas empresas, que lucram milhões, utilizem como ferramenta de marketing os aspectos negativos dos seus produtos?) e que seja cada um a decidir o que é importante para si.

Bem-haja!

rita c disse...

O intuito deste blogue não é “formatar” opiniões ou criar uma legião de seguidores que não pensam por si.
Existem diversos estudos (levados a cabo por investigadores experientes, com currículos de referência na sua área) que corroboram ou, pelo menos, indiciam que a informação veiculada por este artigo é credível. Assim, afirmar que “…parte dos químicos "danosos" que apresentam…” “…não apresenta contra-indicações quando em aplicação cutânea…” pode, e sublinho pode, estar completamente errado.
De qualquer modo sempre que haja informação credível e, minimamente, fundamentada, continuaremos a disponibiliza-la porque acreditamos que essa informação tem relevância para quem se interessa por estes assuntos.

Cris disse...

Obrigada por toda esta informação. A segurança de tudo o que consumimos é de importância vital para um bom cuidado pessoal e daqueles de quem gostamos, e do planeta que habitamos!

barbie-o disse...

Gostei muito deste artigo.
Hoje fui ao supermercado comprar champô, gel de banho e creme amaciador. E todos os que estavam à venda continham vários destes ingredientes. Tenho sempre o cuidado de não comprar produtos de marcas que testam em animais mas, nos supermercados comuns, mesmo as marcas que não testam usam ingredientes destes...
É uma tristeza.
(PS - infelizmente fui ao supermercado ANTES de ler este artigo)

rita c disse...

Bom dia barbie-o!

É uma pena que só tenha lido o artigo após fazer as suas compras, pois assim já podia ter evitado comprar algumas coisas indesejadas... mas nunca é tarde de mais, para a próxima já vai munida com esta informação e certamente fará compras mais acertadas e saudáveis!

Anónimo disse...

O que que o olio dos travoes pode fazer ao cabelo

Felix Lynx da Montanha disse...

Por favor, pelo que poderia substituir o propilenoglicol na fabricação dos óleos bifásicos?

rita c disse...

Bom dia Felix,

De acordo com a informação que temos do nosso fornecedor Aubrey Organics uma alternativa natural para substituir o propilenoglicol é a glicerina vegetal combinada com álcool de cereais. Uma outra alternativa poderá ser o óleo de coco ou óleo de coco hidrogenado que é usado, por um outro fornecedor nosso Laboratoires de Biarritz, para produzir os seus Monoï que funcionam como óleos bifásicos.